Cada Família Religiosa tem
um “DOM” a oferecer no seio da Santa Igreja. Este “DOM”, (do grego “KARES”), é a dimensão que cada Fundador põe em relevo de Cristo nos Evangelhos
e a aplica a serviço do Reino de Deus. É precisamente o “Carisma” que distingue
uma Congregação de outra e, ao mesmo tempo, seguindo a moção do Espírito
Santo, colabore com ele à Igreja, para
que seja em todos os sentidos o “Sacramento Universal da Salvação” e atenda a
todas as necessidades de seus filhos. Olhando nossos carismas, devemos,
portanto, ver a nossa identidade de “Oblatos” e é preciso estar atentos à
inspiração original e aos apelos do nosso tempo, para perseverarmos na
fidelidade criativa e dinâmica, dentro de nosso “lugar” na Igreja.
“No seguimento
de Cristo e no amor pela sua Pessoa, existem alguns pontos referentes ao
crescimento da santidade na vida consagrada, que atualmente merecem ser
colocados em particular evidência.
Antes de mais, exige-se a fidelidade ao carisma de fundação e sucessivo patrimônio espiritual de cada Instituto. Precisamente
nessa fidelidade à inspiração dos fundadores e fundadoras, dom do Espírito
Santo, se descobrem mais facilmente e se revivem com maior fervor os elementos
essenciais da vida consagrada. Na verdade, cada carisma tem, na sua origem, um
tríplice encaminhamento: primeiro, encaminhamento para o Pai, no desejo de procurar filialmente a sua vontade através de um processo
contínuo de conversão, no qual a obediência é fonte de verdadeira liberdade, a
castidade exprime a tensão de um coração insatisfeito com todo o amor finito, a
pobreza alimenta aquela fome e sede de justiça que Deus prometeu saciar (cf. Mt
5,6). Nesta perspectiva, o carisma de cada Instituto impelirá a pessoa
consagrada a ser toda de Deus, a falar com Deus ou de Deus – como diz S.
Domingos- para saborear como o Senhor é
bom ( cf. Sl 34/33,9), em todas as situações.
Os carismas da vida consagrada implicam também um encaminhamento para o Filho, com quem induzem a cultivar uma íntima e feliz comunhão de vida, na
escola do seu serviço generoso a Deus e aos irmãos. Deste modo, “o olhar,
progressivamente cristificado, aprende a separar-se da exterioridade, do
turbilhão dos sentidos, isto é, de tudo aquilo que impede ao homem aquela suave
disponibilidade a deixar-se dominar pelo Espírito”, e permite assim partir em
missão com Cristo, trabalhando e sofrendo com ele na difusão do Reino.
Todo carisma comporta, enfim, um encaminhamento para o Espírito Santo, enquanto dispõe a pessoa a deixar-se guiar e sustentar por ele, tanto
no próprio caminho espiritual como na vida de comunhão e na ação apostólica,
para viver naquela atitude de serviço que deve inspirar toda opção de um
autêntico cristão.
Com efeito, é sempre esta tríplice relação que transparece em cada
carisma de fundação, naturalmente com os traços específicos dos vários modelos
de vida, precisamente pelo fato de predominar naquele “um profundo ardor do
espírito de se configurar com Cristo, para testemunhar algum aspecto do seu
mistério”aspecto esse que se há-de encarnar e desenvolver na mais genuína
tradição do Instituto, segundo as Regras, as Constituições e os Estatutos”(Vita
Consecrata, 36).
Todo carisma tem duas
dimensões: o que somos e o que fazemos.
Nosso primeiro carisma é a “OBLAÇÃO”, isto é, a oferta de nós mesmos a Cristo Sacerdote, pelos
Seus Sacerdotes e Bispos. A expressão “OBLAÇÃO” sintetiza as duas dimensões (o
que somos e o que fazemos): a mística que nos anima e a nossa ação evangelizadora. A “OBLAÇÃO” é
o cerne de nossa espiritualidade. Somos “OBLATOS”. O nosso nome recorda as
palavras do próprio Verbo, quando se fez carne: “Hostiam, et oblationem
noluisti: corpus autem aptasti mihi: holocautomata pro peccato non tibi
placuerunt. Tunc dixi: Ecce venio: in capite libri scriptum est de me: Ut
faciam, Deus, voluntatem tuam” (Tu não quiseste sacrifício e oferenda. Tu,
porém, formaste-me um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não foram do
teu agrado. Por isso eu digo: Eis-me aqui – no rolo do livro está escrito a meu
respeito – eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade”- Hb 10,7-8). Esta
expressão está
Nossa “OBLAÇÃO” deve ir além
de qualquer serviço prestado aos sacerdotes: deve ser a oferta de nós mesmos pela santificação do Clero. Devemos ser hóstias
vivas pelos Sacerdotes!
Temos, depois a dimensão do que fazemos:
1) - assistir aos Sacerdotes e Bispos enfermos ou anciãos - este é o nosso “Carisma
mais nobre”, que a Congregação vem exercendo desde a sua fundação. Não se trata
apenas de cuidar dos Sacerdotes enfermos ou anciãos como “enfermeiros
profissionais”. Devemos ver neles a Face Sacrossanta de Cristo Sacerdote. Isto,
o nosso Fundador pôs em relevo
2) - prestar auxílio Pastoral aos Senhores Bispos e Sacerdotes, onde formos solicitados, de
preferência em paróquias de meios rurais e pobres, onde muitos não querem ir.
Ajudar na Catequese, Encontros, Movimentos de Igreja, Cursos, enfim, em todos
os trabalhos pastorais;
3) - promover Missões Populares e, se necessário, trabalhar nas missões
“ad gentes”,
para isso, é preciso uma preparação mais especializada;
4) - para o futuro, colaborar na formação dos Sacerdotes e na
Espiritualidade do Clero, esta é uma das grandes esperanças da Congregação, com o seu lugar
florescendo na primavera da Igreja. Para que atinjamos esta realidade, é mister
uma oração contínua e a preparação adequada.
3. ESPIRITUALIDADE
Dos nossos CARISMAS decorre
a ESPIRITUALIDADE OBLACIANA: Como rezam as nossas Constituições, a nossa
Espiritualidade é substancialmente Cristocêntrica e acentuadamente Marial.
Porque substancialmente
cristocêntrica e acentuadamente Mariana, a Espiritualidade dos OCS deve
levá-los constantemente a se embrenharem pelo caminho da santidade,
empenhando-se cada um por adquirir um conhecimento mais e mais profundo da
Pessoa adorável e sacerdotal de Jesus Cristo, a fim de servi-lo melhor, sob a
guia maternal de Maria, roteiro seguro que leva às inesgotáveis riquezas do
Divino Coração de seu Filho (Cód. Compl. Geral, 6).
Continua o Código
Complementar Geral, Art. 7, 1 e
a) amor crescente a Jesus na
Eucaristia, tratando-o como Amigo e Confidente de todas as horas, visitando-o
com freqüência e fazendo-se às segundas e quintas-feiras as Vigílias Eucarísticas, nas quais se reze
especialmente pelos Bispos e Sacerdotes defuntos e pelas intenções da Santa Igreja,
do Papa, da Congregação;
b) a celebração da Eucaristia,
centro de nossa espiritualidade e objeto de todo o carinho na preparação da
Liturgia da Missa de cada dia;
c) Liturgia das Horas - orar
com a Igreja e em nome da Igreja; empreguem-se todos os mais generosos esforços
para que a Liturgia das Horas seja uma oração comum, edificante e
santificadora;
d) tenha-se sempre presente a
Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, não apenas nos eventos litúrgicos, mas
na celebração comunitária do exercício da Via-Sacra às sextas-feiras;
e) haja, outrossim, práticas de
desagravo à Sagrada Face de Jesus às terças-feiras, devoção que nos recorda a
presença de Deus em nossas almas e a necessidade de ver Cristo Sacerdote nos
Bispos e Sacerdotes.
Quanto à piedade acentuadamente Mariana, assim se expressa o Código Complementar Geral, art.
7, *2:
“Procurem todos os OCS
imitar a Virgem Santíssima, Mãe e Modelo de perfeição evangélica, “considerando a Palavra de Deus em seus corações” abertos às inspirações do
Alto e repetindo em suas vidas o “Sim” de Maria. Sigam Maria em seu caminho de
fé, especialmente através da reza do Rosário e das Ladainhas Lauretanas, bem
assim da reza do Ângelus ao meio dia e às seis horas da tarde, ao toque das
Ave- Marias. Que essa devoção a Maria se traduza – em termos pessoais íntimos –
no desejo ardente alimentado na oração suplicante, de conhecer cada vez mais e
melhor, a estatura espiritual e singular da Bendita Mãe de Deus e nossa;
esforcem-se os Superiores de todas as Casas e pequenas Comunidades por formar
climas propícios ao desenvolvimento dessa devoção, garantia de perseverança
individual, de proteção e defesa da Congregação”.
4. POR QUE “CONGREGAÇÃO DOS OBLATOS DE CRISTO
SACERDOTE?”
Desde o tempo de
seminarista, o nosso Fundador, Pe. Januário Baleeiro de Jesus e Silva, OCS,
notara como não era muito conhecida a devoção a Cristo como “SACERDOTE DO PAI”.
Certamente foi o Espírito
Santo que o inspirou a instituir na Igreja uma Família Religiosa, com o nome de
Congregação dos Oblatos de Cristo Sacerdote.
Antes de tudo, somos
“Congregação”, isto é, a união de tantas pessoas, num só coração e numa só
alma, para um “ideal”, dentro da Vida Consagrada. A palavra “Congregação”
lembra “Família”, lembra “Comunhão”. Há um ideal que nos une e nos deve unir
sempre mais, na intimidade do Coração Sacerdotal de Jesus.
“OBLATOS” - aqueles que se
oferecem, como hóstias sobre o altar, ou, na figura que nos é muito cara e que
vem representada em nosso brasão, como a vela que se consome, iluminando ainda
mais com sua luz derradeira. Ao falarmos de “CARISMA”, pusemos umas informações
sobre a palavra “OBLAÇÃO”.
...DE CRISTO SACERDOTE
Aprendemos do nosso Fundador, a ver Jesus Cristo como o SUMO E ETERNO SACERDOTE DO PAI. Procuramos, não apenas conhecê-lo sob esta dimensão
única, mas unir-nos ao Coração Sacerdotal de Jesus, em sua oblação perene ao
Pai pelos nossos pecados e pelos pecados do mundo inteiro e, de modo todo
particular, pela santificação do Clero.
A Carta aos Hebreus, capítulos de
No Santo Retiro realizado
5. NOSSA SENHORA
DAS VITÓRIAS, MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS
A nossa Congregação nasceu
com o nome de “Legião dos Oblatos de Jesus Cristo Sacerdote e de Nossa Senhora
das Vitórias”, conforme vem no título do esboço das Primeiras Constituições.
Por que “Nossa Senhora das
Vitórias”?
Infelizmente, nunca
perguntamos ao nosso Fundador o porque da escolha deste título e, assim,
podemos fazer algumas conjecturas:
1) -
o nosso Fundador, Pe. Januário Baleeiro de Jesus e Silva, OCS, vem da Amazônia,
onde os portugueses trouxeram a devoção à Mãe de Deus, sob este título. Também
no nordeste brasileiro, é muito popular esta devoção. Em Portugal, vem da
vitória dos portugueses sobre os castelhanos, na Batalha de Aljubarrota, de 14
de agosto de 1385. Os castelhanos invadiram as terras portuguesas e Dom João I
de Avis, auxiliado pelo santo Condestável, Dom Nuno Álvares Pereira,
conseguiram libertar Portugal da Espanha em Aljubarrota e Dom João I fez um
voto de erguer nas proximidades do local um imponente mosteiro, conhecido como
Batalha, constando de duas igrejas, uma consagrada à Santa Cruz e a outra à
Nossa Senhora da Vitória;
2) -
a segunda possibilidade é de ter este título surgido da vitória das armadas
cristãs sobre os sarracenos, que estavam para invadir a Europa, passando pela
baía de Lepanto, perto de Chipre. Os cristãos, comandados por Dom João
d’Austria (filho natural de Carlos V), em número muito inferior aos turcos,
desbarataram as naus sarracenas que desistiram definitivamente de dominar a Europa.
O Papa São Pio, que convocara os príncipes católicos para este empenho, exortou
a cristandade à oração do Santo Rosário. Segundo as narrativas da época, este
santo, enquanto estava rezando, teve a visão da vitória cristã a 7 de outubro
de 1571 e, em seguida, proclamou esse dia como “Festa de Nossa Senhora do
Rosário, Auxílio dos cristãos”, também invocada como “Nossa Senhora da
Vitória”. Como o nosso Fundador foi Salesiano até o fim da filosofia, adotou
Nossa Senhora Auxiliadora ou da Vitória como nossa Padroeira principal.
3) -
temos, ainda, uma outra hipótese: o rei de Portugal, Dom João III, quando
enviou Tomé de Souza a fundar em seu nome a primeira cidade da Bahia,
ordenou-lhe também dedicar à Mãe de Deus a primeira paróquia e igreja matriz.
Para assumir este encargo, viera o Cônego Manuel Lourenço, além do Padre Manoel
da Nóbrega e seus cinco companheiros jesuítas, como primeiros missionários.
Traziam, segundo consta, a imagem da Padroeira, que passou a chamar-se até hoje
“Nossa Senhora da Vitória”, título proveniente da grande vitória alcançada
junto aos índios que relutavam contra a posse de seus domínios, por terem sido
maltratados por alguns colonizadores, em tentativas precedentes.
O nosso Fundador, sendo de
origens portuguesas, provavelmente quis tomar este título de raízes
luso-brasileiras, mas desejou com ele considerar, não tanto as vitórias nos
eventos humanos, mas acima de tudo, as grandes vitórias da Mãe de Deus sobre o
demônio, sobre o pecado, sobre o mal, desde a sua Imaculada Conceição. Em seu
quarto havia uma pequena imagem de Nossa Senhora da Vitória, miniatura da
Imagem venerada em Batalha: a Imaculada Conceição, circundada de raios de luz.
Quando a Congregação esteve
MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS
Antes de fundar a
Congregação, o nosso Fundador foi acometido de gravíssima tuberculose, que já lhe
havia comprometido o pulmão esquerdo. Ficou, por um período, numa Casa de Saúde
em Cascadura, RJ, dirigida pelas Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de
Paulo (Vicentinas) e, no dia de Nossa Senhora das Graças (27 de novembro),
enquanto celebrava a Santa Missa, sentiu-se curado desse terrível mal. As Irmãs
Soares, Dutra e outras se aperceberam do fato e, logo após a Missa,
aconselharam-no a submeter-se às radiografias, que constataram o milagre. Pode
ter sido esta, a causa da invocação “Medianeira de Todas as Graças” que, no
período pré-conciliar era muito popular, havendo um significativo número de
Bispos que pediram ao Papa João XXIII de proclamar o dogma da Mediação
Universal de Maria, logo no início do Concílio Vaticano II.
Nossa Congregação assumiu a
Mediação Universal de Maria como seu estandarte, colocando-se dentro do
ensinamento da Igreja que vê essa Mediação como a Missão Materna de Maria e
sempre subordinada à Mediação de Seu Filho, Cristo Sacerdote, único Mediador
entre Deus e os homens. Diz a Lúmen Gentium: “A função maternal de Maria, em
relação aos homens, de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de
Cristo; antes, manifesta a sua eficácio. (...) e de nenhum modo impede o
contacto imediato dos fiéis com Cristo, antes, o favorece” (Cf. LG, 60).
6. SÃO JOSÉ, O
PRIMEIRO OBLATO DE CRISTO SACERDOTE
Assim o chamava, o nosso
Fundador, apontando-nos o glorioso Patriarca São José como modelo, após Cristo
Sacerdote e Nossa Senhora das Vitórias, a ser imitado, em sua vida interior,
total doação de si mesmo a Deus, nos planos salvíficos do Senhor, para toda a
humanidade. São José, além do mais, é modelo de pureza de vida, de humildade,
de espírito de serviço e de total disponibilidade à vontade de Deus. O
Carpinteiro de Nazaré nos inspira, ainda, o espírito de trabalho e de
obediência de fé, de silêncio e de escuta da Palavra Divina; mostra-nos como se
deve contemplar o rosto de Jesus e como devemos amá-lo sobre todas as coisas.
Nosso Fundador chamava São José de “o primeiro Ecônomo da Congregação”, que o
ajudou a adquirir as primeiras camas para os membros que chegavam para a
Fundação de Nossa Família Religiosa, no longínquo 1955. Depois, quanto auxílio
nos deu São José, no decorrer destes anos todos!
Precisamos, como autênticos
Oblatos de Cristo Sacerdote, nos espelhar no Patrono da Igreja Universal, para
podermos perseverar em nossa augusta vocação, exercer os nossos Carismas e, um
dia, sermos levados por ele aos céus, pois é também o Patrono da Boa
Morte!